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Diagnóstico15 min de leitura01/07/2026

Glossário de Saúde Mental: Termos e Definições

Saúde mental tem um vocabulário próprio — siglas, termos clínicos e conceitos que aparecem em consultas, laudos e artigos mas raramente são explicados de forma acessível. Este glossário reúne as definições mais buscadas, organizadas por tema, sem jargão desnecessário. Use como referência: busque o termo que você precisa entender e encontre uma explicação direta e confiável.

Condições e diagnósticos

Os principais transtornos e condições de saúde mental que você pode encontrar em prontuários, laudos ou pesquisas:

Condições e diagnósticos

  • Ansiedade Generalizada (TAG): preocupação excessiva e persistente sobre múltiplos temas da vida cotidiana, por pelo menos 6 meses, com sintomas físicos como tensão muscular, inquietação, fadiga e dificuldade de concentração
  • Transtorno de Pânico: episódios recorrentes de pânico intenso com sintomas físicos (taquicardia, falta de ar, tontura, sensação de morte iminente) e medo persistente de novos episódios. Saiba mais: ataque de pânico
  • Fobia Social (Transtorno de Ansiedade Social): medo intenso e persistente de situações sociais em que a pessoa pode ser julgada, avaliada ou humilhada. Interfere significativamente na vida profissional e social
  • Depressão (Transtorno Depressivo Maior): humor deprimido e/ou perda de interesse em quase todas as atividades por pelo menos 2 semanas, acompanhados de outros sintomas como alterações de sono, apetite, energia, concentração, sentimentos de culpa e pensamentos de morte
  • TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade): condição do neurodesenvolvimento com padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento. Presente desde a infância, persiste na maioria dos casos na vida adulta
  • Autismo (TEA — Transtorno do Espectro Autista): condição do neurodesenvolvimento com diferenças no processamento social, comunicação e comportamentos repetitivos/interesses restritos. Espectro amplo — inclui desde autismo de suporte intensivo a autismo de alto funcionamento (antigamente chamado Asperger)
  • Burnout: síndrome de esgotamento relacionada ao trabalho crônico, caracterizada por exaustão, distanciamento mental do trabalho e eficácia profissional reduzida. Reconhecida pela OMS como fenômeno ocupacional
  • TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático): resposta a evento traumático com revivência (flashbacks, pesadelos), evitação de lembretes, alterações cognitivas e hiperativação. TEPT-C: versão resultante de trauma crônico e repetido
  • TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo): obsessões (pensamentos intrusivos repetitivos que causam ansiedade) e compulsões (comportamentos ou rituais mentais para reduzir a ansiedade). O ciclo obsessão-compulsão é o núcleo do transtorno
  • Transtorno Bipolar: transtorno do humor com episódios depressivos e episódios maníacos (tipo I) ou hipomaníacos (tipo II). Os episódios duram dias a semanas e ocorrem entre períodos de relativa estabilidade
  • TPB (Transtorno de Personalidade Borderline): padrão persistente de instabilidade emocional intensa, relações interpessoais instáveis, identidade difusa e impulsividade. Reatividade emocional intensa a situações interpessoais é a marca central
  • Fobia Específica: medo intenso e irracional de objeto ou situação específica (altura, sangue, animais, voar, etc.) com evitação ativa. Agorafobia: medo de situações de onde escape seria difícil em caso de pânico
  • Anorexia e Bulimia: transtornos alimentares. Anorexia: restrição alimentar extrema com distorção de imagem corporal. Bulimia: ciclos de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios (vômito, laxantes, jejum)
  • Insônia: dificuldade persistente de iniciar ou manter o sono, ou sono não restaurador, com impacto no funcionamento diurno. Saiba mais: insônia
  • Dependência Química: uso compulsivo de substâncias (álcool, drogas) com perda de controle, tolerância crescente, síndrome de abstinência e continuação apesar de consequências negativas. Saiba mais: quando buscar ajuda

Tipos de psicoterapia

As principais abordagens psicoterapêuticas que você pode encontrar ao buscar um profissional:

Abordagens terapêuticas

  • TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental): abordagem baseada em evidência que trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Foca no presente, com técnicas estruturadas. Primeira linha para depressão, ansiedade, TOC, fobias e TEPT. A abordagem com maior base de pesquisa em saúde mental
  • DBT (Terapia Comportamental Dialética): desenvolvida por Marsha Linehan especificamente para TPB. Combina aceitação (mindfulness) e mudança (TCC). Quatro módulos: mindfulness, tolerância ao mal-estar, regulação emocional e efetividade interpessoal. Também usada para desregulação emocional severa, suicidalidade crônica e outros diagnósticos
  • EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares): abordagem para TEPT que usa estimulação bilateral (movimentos oculares, toques alternados ou sons) enquanto o paciente acessa memórias traumáticas. Permite reprocessar o trauma sem precisar narrá-lo extensamente. Alta evidência para TEPT
  • Psicanálise / Psicodinâmica: abordagem baseada em Freud (e desenvolvida por outros desde então) que explora processos inconscientes, padrões de relacionamento e experiências da infância. Mais longa que a TCC; foca em compreensão aprofundada mais do que em técnicas específicas
  • ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso): parte da "terceira onda" da TCC. Foca em aceitar pensamentos e emoções difíceis sem lutar contra eles, e agir de acordo com valores pessoais. Eficaz para ansiedade, depressão e dor crônica
  • TCC para TDAH: adaptação da TCC para as dificuldades específicas do TDAH — procrastinação, organização, gestão do tempo, regulação emocional. Complementa a medicação desenvolvendo habilidades executivas
  • Terapia de Esquemas: extensão da TCC focada em padrões de pensamento e emoção arraigados (esquemas) que se formam na infância. Especialmente útil para transtornos de personalidade
  • Psicoterapia de Apoio: modalidade menos estruturada que oferece suporte emocional, validação e orientação. Não tem protocolo específico; útil como suporte durante crises ou para pessoas que não se encaixam em outras abordagens
  • Terapia Familiar Sistêmica: trabalha o sistema familiar como unidade, analisando padrões de comunicação e relacionamento. Especialmente útil quando o problema de um membro está relacionado à dinâmica familiar

Medicamentos e classes

As principais classes de psicofármacos e termos relacionados à farmacoterapia em saúde mental:

Classes de medicamentos psiquiátricos

  • ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina): classe de antidepressivos mais prescrita. Inclui sertralina, escitalopram, fluoxetina, paroxetina, fluvoxamina. Primeira linha para depressão, ansiedade, TOC, TEPT. Saiba mais: o que são antidepressivos
  • IRSN (Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina): venlafaxina, duloxetina. Indicados para depressão, ansiedade generalizada e dor crônica
  • Estabilizadores de Humor: medicamentos usados no transtorno bipolar para prevenir episódios. Principais: lítio (o mais estudado), valproato (ácido valpróico), lamotrigina. Cada um tem perfil de indicação, monitoramento e efeitos colaterais distintos
  • Antipsicóticos: usados para psicose, mania aguda e (em doses baixas) como potencializadores em depressão. Geração típica (haloperidol, clorpromazina) e atípica (risperidona, olanzapina, quetiapina, aripiprazol). Atípicos têm menos efeitos extrapiramidais mas mais risco metabólico
  • Benzodiazepínicos: ansiolíticos de ação rápida (alprazolam, clonazepam, diazepam). Eficazes para ansiedade aguda e insônia, mas com risco de dependência e tolerância. Uso deve ser de curta duração e com supervisão médica
  • Metilfenidato: estimulante do SNC usado para TDAH. Formulações: Ritalina (curta duração), Ritalina LA, Concerta. Saiba mais: Ritalina e metilfenidato
  • Lisdexanfetamina (Vyvanse): estimulante de longa duração para TDAH. Pró-fármaco de anfetamina — só ativado no organismo após ingestão oral, reduzindo potencial de abuso
  • Síndrome de Descontinuação: sintomas (tontura, brain zaps, náusea, irritabilidade) que ocorrem ao parar abruptamente antidepressivos — especialmente ISRS de meia-vida curta como paroxetina. Não é dependência; evitado com retirada gradual. Saiba mais: efeitos colaterais de antidepressivos
  • Titulação: processo de ajuste gradual da dose de um medicamento — geralmente começando baixo e subindo até encontrar a dose eficaz com efeitos colaterais toleráveis
  • Potencialização (augmentation): adição de um segundo medicamento para melhorar a resposta do primeiro. Exemplo: adicionar aripiprazol a um antidepressivo em depressão resistente

Termos clínicos e psicológicos

Conceitos técnicos que aparecem em consultas, laudos e artigos científicos:

Termos clínicos

  • Anedonia: incapacidade ou dificuldade de sentir prazer em atividades que antes eram agradáveis. Sintoma central da depressão; também presente em outros transtornos
  • Comorbidade: presença de dois ou mais diagnósticos simultaneamente na mesma pessoa. TDAH e ansiedade são comorbidades muito frequentes; depressão e ansiedade também
  • Dissociação: desconexão entre pensamentos, sentimentos, comportamento e senso de identidade. Pode variar de "sonhar acordado" leve a episódios graves de despersonalização (sensação de estar fora do próprio corpo) ou desrealização (sensação de que o mundo não é real)
  • Disfunção Executiva: dificuldade com habilidades gerenciadas pelo córtex pré-frontal: planejamento, organização, início de tarefas, memória de trabalho, controle inibitório, flexibilidade cognitiva. Central no TDAH e presente em outros transtornos
  • Efeito Nocebo: efeito contrário ao placebo — quando a expectativa de efeito negativo o produz. Importante no contexto de medicação: quem espera ter muitos efeitos colaterais tende a relatar mais
  • Hiperativação (Hyperarousal): estado de alerta elevado do sistema nervoso — dificuldade de relaxar, resposta de sobressalto exagerada, vigilância constante. Característica central do TEPT
  • Hipervigilância: atenção exagerada a possíveis ameaças no ambiente. Presente no TEPT, ansiedade e transtornos de personalidade
  • Labilidade Emocional: mudanças rápidas e intensas de humor, frequentemente em resposta a estímulos menores. Presente no TPB, TDAH (como desregulação emocional) e transtorno bipolar
  • Neuroinflamação: inflamação no sistema nervoso central; pesquisas recentes apontam papel na fisiopatologia da depressão — o que explica por que condições inflamatórias sistêmicas frequentemente acompanham depressão
  • Psicoeducação: processo de educar o paciente (e familiares) sobre sua condição — o que é, como funciona, quais são os tratamentos, o que esperar. Parte essencial do tratamento na maioria dos transtornos
  • Recaída vs. Recorrência: recaída é o retorno dos sintomas durante o mesmo episódio (antes da remissão completa); recorrência é um novo episódio após período de remissão
  • Remissão: ausência ou mínimo de sintomas após um episódio. Recuperação: remissão mantida por período prolongado (geralmente 6+ meses). O objetivo do tratamento é a remissão — não apenas "melhora"
  • Resposta ao Tratamento: redução de 50% ou mais nos sintomas em relação ao início. Remissão exige redução muito maior (quase ausência de sintomas)
  • Alexitimia: dificuldade em identificar e descrever as próprias emoções. Frequente no autismo; também em TEPT e outros transtornos. Não é "falta de emoção" — é dificuldade de processar e nomear

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Neurodiversidade: vocabulário específico

Termos do movimento e da perspectiva da neurodiversidade:

Termos da neurodiversidade

  • Neurodivergente: pessoa cujo funcionamento neurológico difere do típico de forma significativa — inclui autismo, TDAH, dislexia, dispraxia, síndrome de Tourette e outros. O termo é da perspectiva da neurodiversidade (variação, não patologia)
  • Neurotípico: pessoa cujo funcionamento neurológico segue o padrão considerado típico para a espécie. Oposto de neurodivergente
  • AuDHD: autismo + TDAH no mesmo indivíduo. Extremamente comum — 50–70% das pessoas com autismo também têm TDAH. A combinação tem perfil específico que difere de cada condição isolada
  • Masking (Camuflagem): esforço consciente ou inconsciente de uma pessoa neurodivergente para esconder traços e parecer neurotípica. Muito intenso no autismo, especialmente em mulheres. Altamente custoso em energia e associado a burnout autístico e diagnóstico tardio
  • Hiperfoco: capacidade de concentração extremamente intensa em tópico de interesse, com dificuldade de interromper. Presente no TDAH e no autismo. Pode ser recurso poderoso quando direcionado
  • Meltdown: sobrecarga neurológica intensa que resulta em perda temporária do controle emocional/comportamental — reação involuntária, não birra. Comum no autismo e em alta sobrecarga sensorial ou emocional
  • Shutdown: resposta oposta ao meltdown — retraimento, dificuldade de comunicar, "desligamento". Também resposta a sobrecarga
  • Stimming (Autoestimulação): comportamentos repetitivos e rítmicos usados para regular o sistema nervoso — balançar o corpo, estalar os dedos, girar objetos, vocalizar. Natural e funcional para neurodivergentes; supressão é custosa
  • Processamento Sensorial: como o sistema nervoso processa informações sensoriais (tato, som, luz, cheiro, paladar, propriocepção). Hiper ou hipossensibilidade sensorial é critério diagnóstico do autismo e comum no TDAH
  • Burnout Autístico: exaustão profunda resultante de masking prolongado e sobrecarga crônica. Diferente do burnout profissional — é uma degradação do funcionamento que pode levar meses a se recuperar
  • Diagnóstico Tardio: diagnóstico de autismo ou TDAH na adolescência ou vida adulta. Muito mais comum em mulheres e pessoas de grupos sub-representados. Frequentemente precedido de diagnósticos incorretos de depressão, ansiedade ou TPB

Sistema de saúde e siglas institucionais

Siglas e estruturas do sistema de saúde mental brasileiro que você pode encontrar ao buscar atendimento:

Siglas do sistema de saúde

  • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): serviço público de saúde mental de referência no SUS. Atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. CAPS-i: infanto-juvenil. CAPS-AD: álcool e drogas. CAPS III: funciona 24h. Veja a lista de CAPS por estado
  • UBS (Unidade Básica de Saúde): porta de entrada do SUS. Atende casos leves a moderados de saúde mental; acesso a psicólogo e psiquiatra via encaminhamento
  • NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família): equipe multiprofissional (inclui psicólogo, assistente social) que apoia as UBS. Atualmente reformulado como eMulti
  • CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão — sistema da OMS usado globalmente para classificar condições de saúde. Usado no Brasil para laudos e afastamentos. A CID-11 incluiu TEPT Complexo e revisou o diagnóstico de autismo
  • DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição — sistema da Associação Americana de Psiquiatria. Mais usado em pesquisa e por psiquiatras no Brasil. O DSM-5-TR (2022) trouxe atualizações
  • CVV (Centro de Valorização da Vida): serviço de apoio emocional e prevenção ao suicídio. Telefone: 188. Chat: cvv.org.br. 24 horas, gratuito
  • INSS: Instituto Nacional do Seguro Social. Responsável pelo auxílio-doença por incapacidade temporária (CID F) e aposentadoria por invalidez. O afastamento por saúde mental requer laudo psiquiátrico e perícia médica
  • CREMESP / CFM: conselhos regionais e federal de medicina. Psiquiatras são médicos registrados nesses conselhos. CFP: Conselho Federal de Psicologia — registra psicólogos
  • Sigilo Profissional: psicólogos e psiquiatras têm obrigação ética de manter confidencialidade das informações do paciente. Exceções: risco iminente de vida (para o paciente ou terceiros) e obrigação legal

Profissionais de saúde mental: quem é quem

As diferenças entre os profissionais que atuam em saúde mental causam muita confusão. Saiba mais: psicólogo ou psiquiatra?

Profissionais

  • Psiquiatra: médico com especialização em psiquiatria. Faz diagnóstico, prescreve medicamentos e acompanha o tratamento farmacológico. Pode fazer psicoterapia, embora muitos foquem na parte médica
  • Psicólogo: profissional com bacharelado e mestrado (ou pós) em psicologia. Realiza psicoterapia e avaliação psicológica. Não prescreve medicamentos no Brasil (exceto projeto-piloto em discussão)
  • Neuropsicólogo: psicólogo especializado em avaliação das funções cognitivas. Realiza a avaliação neuropsicológica — testes de atenção, memória, função executiva, linguagem. Essencial para diagnóstico de TDAH em adultos
  • Neuropediatra: médico especialista em neurologia infantil. Diagnostica e trata TDAH, autismo e outras condições do neurodesenvolvimento em crianças
  • Terapeuta Ocupacional (TO): atua na reabilitação das atividades cotidianas. Em saúde mental e neurodesenvolvimento: integração sensorial, habilidades de vida diária, inserção social
  • Fonoaudiólogo: em saúde mental/neurodesenvolvimento: linguagem, comunicação aumentativa e alternativa (autismo), disfluência, processamento auditivo
  • Assistente Social: apoio em aspectos sociais do tratamento — acesso a serviços, benefícios, situações de vulnerabilidade social
  • Psicanalista: pratica psicanálise. Pode ser psicólogo ou médico com formação específica em psicanálise. A formação psicanalítica não é regulamentada como CRM/CRP — é de institutos específicos

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