Início/Resumos/Triste Fim de Policarpo Quaresma
📚 Resumo · Lima Barreto · Vestibular

Triste Fim de Policarpo Quaresma

Lima Barreto — 1915

AutorLima Barreto (Afonso Henriques de Lima Barreto)
PublicaçãoFolhetim (1911) → Livro (1915)
GêneroRomance · Realismo · Crítica social
ContextoPrimeira República brasileira — governo Floriano Peixoto (1891–1894)
EstiloPré-modernismo; linguagem irônica e melancólica
ReadPro

Personagens principais

Policarpo Quaresma

Protagonista. Major do exército, subsecretário do Arsenal de Guerra. Sonhador, ingênuo, idealista fanático pela grandeza do Brasil. Estuda tupi-guarani, toca violão clássico, defende a agricultura nacional. Sua devoção ao Brasil é inversamente proporcional à capacidade do Brasil de reconhecê-la.

Adelaide (Olga)

Afilhada de Policarpo. Figura de sanidade e afeto no romance. Acompanha sua trajetória com tristeza crescente. Sua perspectiva final — a de quem amava Policarpo sem o idealismo — é o julgamento do narrador sobre a nação.

Coleoni

Imigrante italiano que prospera no Brasil fazendo o que Policarpo tenta e fracassa. Contraste irônico: o estrangeiro sem idealismo pátrio tem mais sucesso na terra que o brasileiro fervoroso.

General Albernaz / Dr. Campos

Figuras da sociedade patriarcal e burocrática que representam o Brasil real — corrompido, medíocre, indiferente aos ideais de Policarpo.

Enredo — 4 momentos

1

O pedido do tupi-guarani

Policarpo escreve ao Congresso pedindo que o tupi-guarani seja a língua oficial do Brasil. A iniciativa é ridicularizada. Policarpo é internado num hospício por 6 meses — o Brasil literal não aceita a grandeza de seus próprios sonhos.

2

A fazenda do Sossego

Após sair do hospício, Policarpo compra uma fazenda para desenvolver a agricultura nacional. Resultado: fracasso total. O solo brasileiro, diferente do idealizado, resiste. Os métodos que aprovou não funcionam na prática. Lima Barreto satiriza o ufanismo agrário.

3

A Revolta da Armada

Policarpo adere ao lado do governo Floriano Peixoto durante a Revolta da Armada (1893). Serve como comandante militar. Acredita estar servindo ao Brasil e à ordem.

4

A traição da República

Policarpo vê os horrores da repressão florianista — fuzilamentos, arbitrariedades, crueldade. Escreve carta ao presidente denunciando os abusos. É preso por traição, julgado sumariamente e fuzilado. O Brasil que ele amou o mata.

Temas principais

Crítica ao ufanismo e ao nacionalismo ingênuo

Policarpo ama um Brasil que não existe — a nação idealizada dos livros e das tradições. Lima Barreto mostra que o ufanismo sem crítica é armadilha: o Brasil real é burocrático, corrupto, indiferente à grandeza que seus idealistas proclamam.

Fracasso do idealismo no Brasil republicano

A Primeira República não cumpriu as promessas de modernidade e progresso. Lima Barreto — negro, pobre, filho de ex-escravos — conhecia bem o abismo entre o Brasil oficial e o real. Policarpo é metonímia desse abismo.

Marginalidade e exclusão

Lima Barreto era à margem da literatura oficial de seu tempo (dominada pela Academia Brasileira de Letras). Policarpo é também excluído — sua grandeza é invisível para as instituições que deveria honrar.

Ironia como instrumento crítico

O narrador de Lima Barreto é implacavelmente irônico. Cada fracasso de Policarpo é descrito com leveza que torna a crítica mais corrosiva. "Triste fim" — o título já entrega o desfecho, mas a ironia está em tudo que conduz até ele.

ReadPro · App de Leitura

Leia Lima Barreto no ReadPro

Obra completa de Lima Barreto disponível no catálogo. IA para tirar dúvidas sobre contexto histórico e análise literária — ideal para estudantes de vestibular.

Baixar ReadPro

Perguntas frequentes (vestibular)

Lima Barreto é considerado pré-modernista?

Sim. Produção entre 1900 e 1922. Características pré-modernistas em Lima Barreto: denúncia social, linguagem coloquial (contra o parnasianismo vigente), protagonistas marginalizados, crítica às instituições republicanas. Mas sua obra antecipa o Modernismo de 1922 em muitas dimensões — especialmente na ruptura com o verniz cultural aristocrático.

O que é o "triste fim" do título?

O fuzilamento de Policarpo pelo regime que ele apoiava. A ironia central: ele é executado pela República que defendeu, pelos ideais que traiu ao denunciar os abusos. O "fim" é triste não só pela morte, mas pela confirmação de que o Brasil que Policarpo amava nunca existiu — e que o Brasil real o destruiu justamente por seu amor.

Qual o contexto histórico do romance?

Primeira República (1889–1930), especialmente o governo Floriano Peixoto (1891-1894), conhecido como "Marechal de Ferro". A Revolta da Armada (1893-1894) foi conflito real entre a Marinha monárquica e o governo republicano. Lima Barreto usa esse contexto para criticar a república oligárquica que substituiu o Império sem mudar as estruturas de exclusão.

Lima Barreto aparece nas questões de vestibular como?

FUVEST, UNICAMP e outros vestibulares cobrem Lima Barreto recorrentemente. Temas mais comuns: crítica à Primeira República, representação do marginalizado, ironia como recurso estilístico, comparação com outros pré-modernistas (Euclides da Cunha), contexto histórico da virada do século XIX-XX no Brasil.