Início/Resumos/O Pagador de Promessas
📚 Resumo · Teatro Brasileiro · Vestibular

O Pagador de Promessas

Dias Gomes — 1960

AutorDias Gomes (Alfredo de Freitas Dias Gomes)
Ano1960 (estreia) — Prêmio Molière de Teatro
GêneroDrama · Teatro moderno brasileiro
AdaptaçãoFilme homônimo de Anselmo Duarte (1962) — Palma de Ouro em Cannes
ContextoBrasil desenvolvimentista de JK; tensão cidade/campo; sincretsimo religioso
ReadPro

Personagens principais

Zé do Burro

Protagonista. Sitiante simples, crente, que fez promessa a Santa Bárbara de levar cruz pesada até Igreja de Santa Bárbara em Salvador, caso seu burro ficasse curado. Representa a fé popular ingênua e genuína, em conflito com a rigidez institucional.

Rosa

Esposa de Zé do Burro. Envergonhada com o sacrifício público do marido, seduzida pela cidade. Representa a fragilidade da fé diante do pragmatismo urbano e da pressão social.

Padre Olavo

Sacerdote que impede Zé do Burro de entrar na Igreja. Representa o dogma religioso institucional — a Santa Bárbara em questão seria sincretista (associada a Iansã no candomblé), inaceitável para a Igreja Católica.

Dedé

Oportunista que tenta explorar a situação de Zé do Burro para ganhos próprios.

Bonitão

Cafetão que seduz Rosa durante a noite que Zé passa em frente à Igreja, esperando poder entrar.

Enredo resumido

1

A promessa

No interior da Bahia, o burro de Zé do Burro fica doente. Zé faz promessa a Santa Bárbara (Iansã): se o burro sarar, carregará uma cruz de madeira do mesmo peso e tamanho que a da Igreja de Santa Bárbara em Salvador — e caminhará três léguas com ela nos ombros.

2

A chegada a Salvador

O burro sara. Zé cumpre a jornada com a enorme cruz. Chega à porta da Igreja de Santa Bárbara com Rosa e um grupo de seguidores improvisados. Mas o Padre Olavo recusa sua entrada.

3

O conflito

O motivo: a Santa Bárbara de Zé é sincretista — ele a confunde com Iansã do candomblé. A Igreja não pode aceitar promessa feita a uma santa misturada com religião de terreiro. Zé não entende — para ele, é a mesma santa. Aguarda em frente à Igreja durante toda a noite.

4

A erosão

Durante a noite: Rosa abandona Zé (seduzida por Bonitão). Oportunistas chegam. Jornalistas fazem da história notícia. A polícia é chamada. A multidão se forma — alguns a favor, outros contra. Cada grupo tenta instrumentalizar Zé para sua agenda.

5

O desfecho

Zé do Burro morre em confronto com a polícia ao tentar entrar à força na Igreja pela manhã. O povo carrega seu corpo para dentro da Igreja — a promessa é cumprida pela força popular, não pela Igreja. Vitória póstuma e trágica da fé popular.

Temas principais

Religiosidade popular vs Igreja institucional

Conflito central: a fé sincretista e genuína de Zé contra o dogma rígido. Dias Gomes critica a Igreja por afastar o povo simples com regras que não dialogam com a espiritualidade popular brasileira.

Exploração do simples pelo sistema

Zé é explorado por todos: pelo padre (negação), pela mídia (espetáculo), pelos políticos (bandeira), pela esposa (abandono). A inocência não é recompensa no mundo urbano moderno.

Sincretismo religioso brasileiro

A confusão entre Santa Bárbara e Iansã não é ignorância de Zé — é a realidade do Brasil profundo, onde o candomblé e o catolicismo coexistem há séculos. A peça defende esse sincretismo como legítimo.

Engajamento político do Teatro Brasileiro

Escrita no contexto do Teatro de Arena e do engajamento político da esquerda cultural brasileira dos anos 1960. Zé do Burro é o homem do povo esmagado pelas estruturas — religiosa, policial, midiática.

Leitura

ReadPro · App de Leitura

Leia a obra completa no ReadPro

O texto completo de O Pagador de Promessas e outras obras clássicas da literatura brasileira — com IA que responde dúvidas sobre a obra em tempo real.

Baixar ReadPro

Perguntas frequentes (vestibular)

Por que O Pagador de Promessas é importante para o vestibular?

É uma das obras mais importantes do teatro moderno brasileiro, indicada em vestibulares de todo o país. Temas recorrentes em questões: sincretismo religioso, crítica à Igreja institucional, exploração do trabalhador rural, engajamento político do teatro dos anos 60, tragédia do homem simples na cidade. O filme de 1962 (Palma de Ouro em Cannes) é frequentemente citado como referência cultural.

Qual a crítica de Dias Gomes à Igreja Católica?

A crítica é estrutural: a Igreja, ao recusar Zé do Burro, coloca o dogma acima da fé genuína — e ao fazê-lo, afasta exatamente as pessoas mais simples e devotas que deveriam ser seu rebanho central. Mas Dias Gomes não é maniqueísta: Padre Olavo não é vilão, é prisioneiro de sua instituição. A crítica é ao sistema, não ao indivíduo.

O desfecho é otimista ou pessimista?

Ambíguo — deliberadamente. Zé morre (pessimismo), mas o povo carrega seu corpo para dentro da Igreja (otimismo popular). A promessa é cumprida, mas ao custo da vida do promesseiro. Dias Gomes parece dizer: a vitória popular é possível, mas exige sacrifício — e chegará pelo povo, não pelas instituições.

Qual a relação com o cinema brasileiro?

O filme de 1962, dirigido por Anselmo Duarte com Leonardo Villar como Zé do Burro, é a única obra brasileira a vencer a Palma de Ouro em Cannes (principal premiação do cinema mundial). É marco do Cinema Novo e da cultura brasileira dos anos 60.